Amanhã é Grátis #58 – RED ÁFRICA

A RED ÁFRICA apresenta-nos como complemento e contraponto à exposição Things Fall Apart, o ciclo de filmes “O Legado das Relações Culturais entre África, a União Soviética e os Países da sua Área de Influência durante a Guerra Fria”.

Incluindo perspectivas que transcendem, mas se encontram associadas às lutas pela independência dos territórios africanos sob domínio colonial português e à relação íntima entre descolonização e democratização em Portugal, o ciclo de cinema pretende oferecer a possibilidade de se revisitar ou descobrir um conjunto de filmes que abordam de modo mais ou menos explícito as temáticas da exposição RED ÁFRICA Things Fall Apart.

Programa  RED ÁFRICA

Segunda-feira – 20 de Fevereiro

11h Visita à exposição THINGS FALL APART com Mark Nash.

A exposição "Things Fall Apart" apresenta quinze projectos de artistas contemporâneos relacionados com o impacto devastador do colonialismo em África.Galeria Avenida da Índia: Avenida da Índia, 170 em Belém.

15h Filme Octobre & Documentário Rostov-Luanda

Octobre (1993, 36’) França do Realizador Abderrahmane Sissako com Irina Apeksimova e Wilson Biyaya. Legendado em inglês. M/12 anos

O segundo filme de Sissako, feito quando era estudante na VGIK, a escola de cinema de Moscovo, é sobre a relação entre Ira, uma jovem mulher russa que trabalha num hospital, e Idrissa, um estudante africano em Moscovo. O filme segue as personagens nas suas vidas diárias, as experiências de racismo casual dos vizinhos, a cultura musical vibrante africana no metro e encontros arbitrários da vida quotidiana. Filmado num estilo semi-vérité, o filme reflecte o humor um pouco desesperado das suas personagens: a partida iminente de Idrissa para a África aproxima-se e Ira decide esconder a sua gravidez.

Rostov-Luanda (1997, 58’) Angola, França, Alemanha, Mauritânia. Realizador/Director: Abderrahmane Sissako. Legendado em inglês.

Rostov-Luanda documenta a visita de Sissako a Angola na década de 1990, quando regressou ao país para tentar encontrar o seu amigo Baribanga. Quando chega, descobre um país e um povo completamente deslocado e desmoralizado por quase vinte anos de guerra entre as forças comunistas (particularmente cubanas) endossando o governo existente, a Organização do Povo do Sudeste da África (SWAPO) e a União Nacional da Independência Total de Angola (UNITA), esta apoiada por uma África do Sul que estava ao mesmo tempo envolvida na guerra da independência na vizinha Namíbia. A Guerra Fria tornou-se uma guerra quente em Angola e Rostov-Luanda narra o desencanto e o pessimismo que Sissako encontra tanto dentro dele como no país como um todo, um contraste dramático com o utopismo que a independência angolana representou para todo o continente.

17h Mesa Redonda “RED AFRICA, O Livro, a Exposição”

O painel reúne artistas e outros intervenientes que contribuíram quer para a exposição Things Fall Apart, quer para a publicação Red Africa, Affective Communities and the Cold War, a fim de proporcionar uma reflexão sobre o legado das relações culturais entre África, a União Soviética e os países da sua área de influência durante a Guerra Fria.

Participantes: Ana Balona de Oliveira, Ângela Ferreira, Nadine Siegert, Polly Savage. Moderador: Mark Nash. Sessão em inglês

19h Black Sun (Chyornoye solntse, 1970, 97’) URSS

Realizador/Director: Aleksey Speshnev com Ambroise Mbia, Nikolay Grinko, Gemma Firsova, Amponsah Sampson, Bob Tsymba e Rein Aren. Legendado em inglês.

Drama histórico soviético sobre o destino trágico do primeiro-ministro congolês, Patrice Lumumba, o filme é criado como as memórias de duas pessoas que foram vítimas de intrigas políticas: o primeiro-ministro do país africano ficcional, Robert Musombe, e o assessor da ONU, Sr. Burt. Os eventos seguem em grande parte a crise do Congo nos anos 1960.

21h30 Teza (2008, 139’) Etiópia, Alemanha, França

Realizador/Director: Haile Gerima com Nebiyu Baye , Ludi Boeken , Takelech Beyene , Aaron Arefe , Mengistu Zelalem e Teje Tesfahun. Legendado em inglês

Etiópia, 1990. Anberber voltou para a sua aldeia com uma perna ausente e a cabeça cheia de fantasmas. Depois de emigrar na década de 1970 para estudar medicina na Alemanha, onde encontrou um racismo generalizado, deixando para trás uma Etiópia imperial sob domínio de Haile Selassie, Anberber regressa e encontra um estado socialista sob Menghistu Haile Mariam. O seu sonho é agora cuidar do seu povo, que sofre a dupla aflição da fome e dos regimes totalitários. Voltar permite-lhe fazer o balanço do caos político e social existente na sua terra natal. Por pouco evita ser linchado e busca refúgio na aldeia natal. Dentro de uma cabana, diante do fogo, percebe quão impotente é diante do colapso dos valores humanos.

Terça-feira – 21 de Fevereiro

11h Mesa Redonda “Cinema, Utopia, Propaganda”

O painel tem como objetivo fomentar um debate sobre o papel do cinema no contexto das independências africanas, considerando, por um lado, o seu potencial emancipador e, por outro, os riscos de ser reduzido a um instrumento de propaganda. Participantes: Alexander Markov, Margarida Cardoso, Raquel Schefer. Moderadora: Maria do Carmo Piçarra. Sessão em inglês.

15h O Regresso de Amílcar CabralAfrican Rhythms

O Regresso de Amílcar Cabral (1976 31’) Guiné-Bissau, Guiné, Suécia. Realizador: Sana Na N’Hada, Flora Gomes, José Cubumba, Djalma Fettermann, Josefina Crato. Legendado em inglês

O Retorno de Amílcar Cabral é um filme colectivo que hoje é considerado a primeira produção realizada pelos cineastas guineenses após a libertação do colonialismo português em 1974. O filme documenta a transferência dos restos mortais de Amílcar Cabral, de Conacri (onde foi assassinado em Janeiro 1973) para Bissau, em 1976. A cobertura intrigante do evento solene, gravações de canções guineenses e imagens de arquivo de Cabral durante a guerra de guerrilha criam uma homenagem a um excelente pensador político e lutador pela liberdade. De acordo com Sana Na N’Hada, o objectivo original do filme era pedir à diáspora guineense que voltasse à nação recém-libertada. Logo depois da estreia em 1976, o filme parece ter sido exibido em todo o mundo, mas até recentemente era um dos poucos vestígios da produção colectiva de filmes na Guiné-Bissau que ocasionalmente poderia ser encontrada em registos oficiais. A convocação do lamento neste filme é um gesto que provoca uma multiplicidade de retornos. 

African Rhythms (1966, 50’) URSS. Realizador: Irina Venjer, Leonid Makhnach. Legendado em francês.

A canção que é cantada na alegre cidade verde de Dakar foi ouvida pela primeira vez na capital da República do Senegal no Primeiro Festival Mundial das Artes Negras, em 1966. Participaram delegados de 37 países do mundo. Pela primeira vez, culturas fraternas reuniram-se em grande escala em Dakar.

17h Mesa Redonda “África, Socialismo, Guerra Fria”

O painel pretende contextualizar as relações entre as independências nacionais, as solidariedades socialistas, as comunidades afetivas e a guerra fria, a partir de experiências concretas e histórias de vida. Participantes: José António Fernandes Dias, Júlio de Almeida “Jujú”, Luis Carlos Patraquim, Mamadou Ba, Manuel Alegre, Ondjaki. Moderadoras: Lívia Apa, Manuela Ribeiro Sanches

21h30 Mueda, Memória e Massacre (1979, 75’) Moçambique

Realizador: Ruy Guerra com Filipe Gunoguacala, Romão Canapocuela, Mauricio Machimbuco e Baltazar Nchilema. Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa. Legendado em português.

Considerada a primeira longa-metragem de ficção da República Popular de Moçambique, o filme é, numa primeira leitura, uma recriação histórica dos acontecimentos de Mueda, onde a 16 de junho de 1960 soldados portugueses abriram fogo sobre uma manifestação, acabando por matar centenas de pessoas. O massacre é considerado como um dos factores que espoletaram a luta anticolonial em Moçambique.

RED ÁFRICA “O Legado das Relações Culturais entre África, a União Soviética e os Países da sua Área de Influência durante a Guerra Fria” | 20 e 21 de Fevereiro | Cinema São Jorge | Entrada Livre | Programa Completo em PDF


Recebe todas as novidades de Lisboa directamente no e-mail, subscreve a nossa Newsletter!

Todas as quintas-feiras partilho convosco as sugestões para o fim de semana.
Para os restantes dias, espreita o Facebook, o Twitter ou o Instagram ;)

 

Facebook Comments